ICCA 2017 – Congresso Internacional sobre Crianças e Adolescentes

0 Comente
37 Views

Na sua primeira edição, o Congresso Internacional sobre a Criança e o Adolescente reuniu cerca de 500 participantes oriundos de várias zonas do globo. Ao longo de três dias de intensa programação, debateram-se problemáticas atuais e relevantes acerca da infância e adolescência, cruzando-se, para isso, os contributos de investigadores, professores, técnicos e estudantes, numa abordagem multidisciplinar e focada no diálogo aberto entre todos.

Apresentação da APPsiRH neste congresso:

Escola Rita Leal: Um novo olhar sobre o autismo – Uma proposta terapêutica para o autismo

Apresentação: Pedro Ferreira Alves

Autores: Alves, P. F., & Rodrigues, T. (2017).

Abstract:

Ao distanciar-se dos programas de aprendizagem instrumental e comportamental, tem por objetivo a efetivação de uma proposta terapêutica, propondo um novo olhar sobre o autismo.

A Escola Rita Leal (ERL) fundamenta-se nos trabalhos de Rita Leal (1975, 2005) que propõe uma teoria de desenvolvimento emocional que tem por base uma relação contingente, assim como nos conceitos de Mediação e Zona de Próximo Desenvolvimento das teses de Vigotsky (1930, 1934). Cada criança com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é previamente acompanhada com um plano de acompanhamento individual. O conhecimento prévio permite a sua integração na ERL.

A base da intervenção da ERL assenta no treino de profissionais (psicólogos e professores) e pares (crianças e adolescentes com fortes capacidades empáticas) de forma a restabelecer o formato de intercâmbio mutuamente contingente, uma vez que o mecanismo inato de busca da resposta contingente à própria iniciativa não se extingue ao longo da vida. A supervisão contínua pretende otimizar a qualidade atentiva dos técnicos e pares de forma a favorecer o processo de mediação entre os intervenientes.

O objetivo prático da intervenção assenta no desenvolvimento da base relacional necessária à promoção da confiança básica imprescindível para a motivação de aprender. O compromisso de ensinar e aprender não surge espontaneamente, a metodologia da ERL permite criar e recriar de forma significativa, interativa e sistemática momentos relacionais e de cooperação adequados à evolução de cada criança.

A intervenção incide sobre quatro eixos principais dinâmicos e inter-relacionados: O primeiro é relativo às crianças com características autísticas. A equipa clínica dispõe de técnicas de intervenção que permitem trabalhar na criança a Motivação e Atenção Mútua, essenciais para o processo de relação humana e de organização do seu comportamento.

O segundo eixo, dos pais, assenta na evidência científica de que as interações entre pais e filhos desempenham um papel importante em uma habilitação cada vez mais abrangente. Muitos estudos demonstraram o efeito positivo de intervenções realizadas por pais (Koegel et al, 1992).

O terceiro eixo são os pares. A ERL promove ativamente a integração no grupo de pares em situações de aprendizagem, cumprindo o exercício dos direitos humanos (UNESCO, 1994; ONU, 2006). A inclusão social e escolar de crianças com PEA em grupos heterogéneos é determinante para o desenvolvimento de habilidades sociais, pela riqueza do intercâmbio cognitivo-emocional entre pares. As figuras principais na mediação da aprendizagem são crianças mais maduras que funcionam como tutores, guiando as atividades das crianças com PEA.

O quarto eixo refere-se aos professores. Sendo a escola o principal promotor de socialização, o trabalho com professores incide no desenvolvimento das habilidades relacionais da criança, base da motivação. Assim, está-se perante uma situação de uma dupla mediação: professores orientam a atividade dos pares para que estes possam guiar a atividade da criança com PEA. O treino é feito através de supervisão de gravações das aulas.

Assim, comprometida com a prática clínica, a ERL disponibiliza de um corpo teórico que reconhece o caráter evolutivo-transformador dos fenómenos patológicos e coloca o sujeito autista como ativo no processo de tratamento.

Palavras-chave: Autismo; Pares Competentes; Supervisão; Mediação; Relação Contingente.