CNAM 2017 – Congresso Nacional de Autismo e Aprendizagem Matemática

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O Congresso Nacional de Autismo e Aprendizagem Matemática, CNAM 2017, teve como objetivo disseminar estudos e práticas, baseadas em evidências, sobre o desenvolvimento de uma programação educacional eficaz na área da matemática para crianças e jovens com Perturbações do Espetro do Autismo e debater os novos paradigmas educacionais, significativamente influenciados pelos desafios colocados pelas tecnologias digitais.

Apresentações da APPsiRH neste congresso:

  1. Escola Rita Leal uma proposta terapêutica para o autismo: “UM NOVO OLHAR SOBRE O AUTISMO...”

Apresentação: Alexandra Alves

Autoria: Alves, P.F., Rodrigues, T., & Alves, A. (2017) .

Abstract:

Ao distanciar-se dos programas de aprendizagem instrumental e comportamental, a Escola Rita Leal tem por objetivo a efetivação de uma proposta terapêutica, propondo um novo olhar sobre o autismo. Fundamenta-se nos trabalhos de Rita Leal (1975, 1997, 2005) que propõe uma teoria de desenvolvimento emocional cuja génese se encontra numa relação contingente e nas Teses Vigotskyanas (1930, 1934) que são a base dos conceitos de mediação, zona de próximo desenvolvimento e aprendizagem cooperativa. É requisito preliminar que cada criança com autismo seja previamente acompanhada em psicoterapia e habilitação neuropsicológica em sessões bissemanais com um plano de acompanhamento individual elaborado de acordo com as dificuldades apresentadas.

A base da intervenção assenta no treino de profissionais (psicólogos e professores) e pares (crianças e adolescentes com fortes capacidades empáticas) de forma a restabelecer o formato de intercâmbio mutuamente contingente, que é fundamental para o processo de aprendizagem. O objetivo assenta no desenvolvimento da base relacional necessária à motivação para a aprendizagem. A supervisão clínica contínua pretende otimizar a qualidade atentiva dos técnicos e pares de forma a favorecer o processo de mediação entre os intervenientes. O estudo experimental pretende apresentar uma alternativa aos modelos comportamentalistas, através de uma minuciosa investigação da relação entre crianças com autismo, pares e técnicos. As sessões foram gravadas em vídeo e analisadas com o software The ObserverXT12, de forma a desvendar a relação entre as técnicas de intervenção, o envolvimento relacional do profissional e o desenvolvimento de habilidades sociais e motivação para a aprendizagem das crianças com autismo.

Palavras-chave: Autismo, Aprendizagem Cooperativa, Zona de Próximo Desenvolvimento, Supervisão Clínica

 

  1. Análise da evolução da qualidade relacional numa abordagem relacional- histórica – Investigação baseada em registos audiovisuais do trabalho de campo.

Apresentação: Diego Prade

Autoria: Alves, P. F., Rodrigues, T., & Prade, D. (2017).

Abstract:

Segundo a abordagem relacional-histórica as mais importantes atividades mentais resultam do desenvolvimento relacional da criança no decurso do qual surgem novos sistemas funcionais (Luria, 1983). O objetivo da Escola Rita Leal baseia-se no desenvolvimento de situações relacionais de qualidade, onde surjam momentos de intercurso mutuamente contingente (Leal, 1975, 1997, 2005). O treino de psicólogos, professores e pares é imprescindível para que estas oportunidades se desenvolvam.

Partindo de uma iniciativa dos interesses da criança com autismo, fomentaram- se momentos de leitura. Estas tarefas pretendem promover rudimentos de gramática, familiarizá-la com fenómenos da natureza e da vida social, formar movimentos coordenados e outras habilidades. Pretende-se assim, dentro de uma relação, criarmotivação para operar com o signo “letras” de forma a escalonar estes elementos mais simples em orações mais complexas e, deste modo, contribuir para a formação de novas redes neuronais imprescindíveis para a aprendizagem da língua portuguesa.

Neste estudo utilizou-se o programa de análise comportamental The Observer XT12, para recolher registos observacionais das interações e classificá-los de acordo com códigos previamente definidos.

Definiram-se 66 indicadores caracterizando o comportamento das crianças. De sete sessões analisadas selecionou-se um momento de sucesso com a finalidade de descrever os comportamentos que permitiram que houvesse condições para uma aprendizagem cooperativa. Analisou-se o processo de aprendizagem de leitura das crianças com autismo, verificando os distintos aspetos do seu progresso. Tentou-se demonstrar que este processo, especialmente no caso de crianças com autismo, está dependente de respostas contingentes à sua própria iniciativa e uma adequada mediação.

Palavras-chave: Autismo, Intercurso Mutuamente Contingente, Mediação, Análise Comportamental.

 

  1. Treino da relação dialógica para a promoção da aprendizagem cooperativa - Análise da qualidade relacional através do software "The Observer XT 12"

Apresentação: Claudia Tirone

Autores: Alves, P. F., Rodrigues, T., & Tirone, C. (2017).

Abstract:

Na abordagem relacional-histórica, a génese do desenvolvimento humano está na relação. Ao mesmo tempo que o desenvolvimento infantil é realizado através de mediadores externos como o brinquedo, o desenho ou a construção, promovidos na ludoterapia, também devem ser introduzidas tarefas de promoção de desenvolvimento das funções nervosas superiores que respondam à crescente curiosidade da criança. Desde que através da orientação do adulto, a presença de um par mais competente incrementa o interesse a o prazer na aprendizagem pela criança com autismo. Na criança que está a aprender despertam-se vários processos internos de desenvolvimento, que operam somente quando esta interage e coopera com os seus pares. Uma vez internalizados esses processos, tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente da criança.

Procedeu-se a uma análise comportamental recorrendo ao programa The Observer XT12. Dos 66 descritores definidos para a análise da qualidade relacional, destacaram-se os que evidenciavam o comportamento relacional entre crianças com autismo, como o contacto visual, chamar pelo nome e o toque. No caso de pares treinados e de profissionais surgiram também técnicas mais comuns que criam condições para haver aprendizagem cooperativa. Estas são, por exemplo, a focagem através do nome da criança, a chamada de atenção e o apontar para objectos aos quais devem estar atentos. A análise possibilitou perceber que existem determinados comportamentos, relacionais e técnicos, que permitem que aconteçam momentos de aprendizagem cooperativa. Pretende-se demonstrar que através de uma relação dialógica entre crianças com autismo e pares competentes é possível criar as condições necessárias a uma aprendizagem cooperativa.

Palavras-chave: Autismo, Mediadores Externos, Par Competente, Análise da Qualidade Relacional.

 

  1. Escola Rita Leal: A construção da empatia: preparação dos técnicos e pares para uma otimização da mediação.

Apresentação: Joana Lopes

Autores: Alves, P. F., Rodrigues, T., & Lopes, J. (2017).

Abstract:

O compromisso de ensinar e aprender não surge espontaneamente, a metodologia da Escola Rita Leal (ERL) permite criar e recriar de forma significativa, interativa e sistemática momentos relacionais e de cooperação adequados à evolução de cada criança. O objetivo prático da intervenção da ERL assenta no desenvolvimento da base relacional necessária à promoção da confiança básica imprescindível para a motivação de aprender.

Todas as atividades foram filmadas com o objetivo de conseguir uma otimização da eficácia da intervenção. As sessões foram supervisionadas em grupo por forma a promover a qualidade atentiva e relacional dos técnicos e pares.

Foi solicitado pelos supervisores que técnicos e pares competentes gravassem as impressões de cada dia / experiência. Fez-se a análise destas com recurso ao software The ObserverXT12 em conjunto com o modelo de investigação da evolução do material qualitativo Análise dos Núcleos de Significação para a Apreensão da Constituição dos

Sentidos (Junqueira e Ozella 2015). Este método visa apreender os sentidos que constituem o conteúdo do discurso da amostra através dos núcleos de significação.

Verificou-se o potencial reflexivo-formativo da autoscopia e heteroscopia com a supervisão clínica em vídeo feedback (Ergonomia Francesa Sócio Histórica). O processo de auto e hetero análise teve como resultado a reflexão sobre o exercício da profissão, o desejo da cientificação da atividade e a criação de hábitos de observação individualizada de cada criança para uma intervenção mais personalizada.

O propósito é conseguir uma equipa cada vez mais empática, mais descentrada, onde cada elemento (re)constrói a sua própria identidade profissional.

Palavras-chave: Eficácia da Intervenção, Construção da Identidade Profissional, Qualidade Atentiva e Relacional, Supervisão Clínica

 

  1. Escola Rita Leal: Desenvolvimento do interesse das competências de cálculo.

Apresentação: Tâmara Rodrigues

Autores: Alves, P. F., & Rodrigues, T. (2017).

Abstract:

O método terapêutico deste projeto resultou da necessidade de atuar nos vários pilares do desenvolvimento psicológico humano, o desenvolvimento emocional e o desenvolvimento neuropsicológico necessários para a aquisição das habilidades para aprender matemática e a língua materna. Desta forma, para completar o trabalho ludoterapêutico que vem sido realizado, iniciou-se um trabalho de equipa no qual o objetivo foca-se no desenvolvimento do interesse e das competências para o cálculo e contribuir para despertar o interesse pela língua portuguesa.

Toda a vida da criança depende do adulto, é organizada e dirigida pelo adulto, tanto as ações práticas da criança como as psicológicas são resultado de aprendizagem. A atividade conjunta do adulto e da criança manifesta-se no facto de que o adulto dirige as ações da criança e de que a criança, quando não consegue realizar uma ação, recorre à ajuda do adulto. E é aqui que reside a importância da habilitação neuropsicológica vigotskyana.

De facto é mais saudável uma aprendizagem consciente, não espontânea, que promova na criança o que ela necessita e garanta o seu pleno desenvolvimento. A progressão da aprendizagem abre caminho para o desenvolvimento psicológico, uma vez que pode orientar o desenvolvimento dos processos psicológicos, conduzir à formação de determinadas qualidades psíquicas e à transformação das anteriormente conquistadas.

Ao mesmo tempo que o desenvolvimento infantil é realizado através de mediadores externos como o brinquedo, o desenho, a construção, entre outros, promovidos na ludoterapia, também devem ser introduzidas tarefas de promoção de desenvolvimento das funções nervosas superiores que respondam à crescente curiosidade da criança. Estas tarefas, pretendem promover rudimentos de matemática e de gramática, familiarizá-la com fenómenos da natureza e da vida social, formar movimentos coordenados e outras habilidades. Em todos estes casos, respeita-se inteiramente o princípio segundo o qual as ações orientadoras devem ser formadas em primeiro lugar.

O propósito fundamental do desenvolvimento psicológico é formar ações internas psíquicas e orientadoras. Essas ações são a continuação das ações orientadoras externas. Para que a criança assimile essas ou aquelas ações é necessário incluí-las num tipo de ação que esteja de acordo com as necessidades e interesses da idade infantil.

No que diz respeito à aprendizagem da matemática é básico que a criança aprenda a contar, até porque em todos os objetos e situações ela precisa saber assinalar as relações quantitativas.

O desenvolvimento cultural consiste em assimilar técnicas de comportamento que se baseiam no uso e na aplicação dos signos como os meios destinados à realização desta ou daquela operação psicológica, desde modo, o desenvolvimento cultural consiste na apropriação destes meios auxiliares que os homens criaram no processo de desenvolvimento histórico (linguagem, escrita, sistema numérico, etc.).

Palavras-chave: Autismo, Matemática, Aprendizagem, Relação Contingente, Mediação.

 

  1. Escola Rita Leal: um modelo de intervenção para a escola pública

Apresentação: Pedro Ferreira Alves

Autores: Alves, P. F., & Rodrigues, T. (2017).

Abstract:

Para a Escola Rita Leal (ERL), apesar de haver uma regulamentação que exige uma inclusão efectiva por parte da sociedade, promovendo a difusão de métodos de inclusão nas escolas, esta ainda não existe de facto. A ERL propõe uma teoria de desenvolvimento emocional que se baseia numa relação contingente, assim como nos conceitos de mediação e zona de próximo desenvolvimento.

Em alguns casos o acompanhamento de crianças com autismo não se esgota nas atividades da ERL, quando possível há uma estreita colaboração com as Escolas Públicas onde estas são discentes. Realiza-se uma supervisão contínua aos professores, por forma a orientar os colegas de turma a tornarem-se pares mais competentes. Durante esta cooperação, as crianças sem necessidades educativas especiais disponibilizam e emprestam diferentes ferramentas e metas com que as crianças com autismo vão-se familiarizando e gradualmente apropriando.

A colaboração é essencial para que o processo de aprendizagem se dê de forma significativa e eficaz, procurando na relação entre os pares meios para a aquisição de formas independentes de desenvolvimento.

Durante 5 semanas a professora da Escola Pública foi supervisionada e uma colega de turma orientada, como resultado registou-se uma evolução na motivação e capacidade de manter a atenção por parte da criança com autismo. Ao longo do período de intervenção a professora reconhece as verdadeiras iniciativas da criança e começam a construir uma representação real um do outro.

Verificou-se o desenvolvimento das capacidades relacionais e pedagógicas entre professor e criança com autismo e também do par com que coopera.

Palavras-chave: Autismo, Inclusão, Relação Contingente, Mediação, Supervisão Contínua.